Dor da Osteoartritede Joelho

A Doença

A osteoartrite (OA) é a forma mais comum de artrite1 e um dos problemas médicos mais comuns na população adulta. Também é uma das razões mais frequentes de restrição das atividades diárias e pode ter um impacto significativo na qualidade de vida.2 É a afecção mais comum das articulações sinoviais, a causa única mais importante de incapacidade locomotora, além de um desafio para a atenção à saúde. Antes considerada uma doença degenerativa, consequência inevitável do envelhecimento e dos traumatismos, atualmente é considerada um processo
metabólico dinâmico, em essência reparador e suscetível de tratamento. Não há uma definição de osteoartrite universalmente aceita, mas a maioria concorda que, em termos de patologia, é um transtorno das articulações sinoviais caracterizado por perda focal de cartilagem e uma resposta óssea reparadora concomitante.3
Não está claro se a osteoartrite é uma única doença ou muitos transtornos distintos, com uma via final comum. Este último ponto se apoia no teste de que a "osteoartrite generalizada" pode ser uma doença diferente, na qual a predisposição sistêmica ou genética seria mais importante que os fatores locais ou mecânicos. A lesão articular grave pode ser suficiente para causar osteoartrite, mas é comum que essa doença seja produto da inter-relação entre fatores sistêmicos e locais.1
A OA ocorre quando se perde o equilíbrio dinâmico entre a degradação e a reparação dos tecidos articulares. Essa insuficiência articular progressiva pode causar dor, incapacidade física e estresse psicológico, apesar de muitas pessoas com alterações estruturais consistentes com OA serem assintomáticas. As razões pelas quais há uma discrepância entre a gravidade da doença e o grau de dor informado e de incapacidade são desconhecidas. Em geral, a OA se apresenta como dor articular. Durante o período de um ano, 25% das pessoas maiores de 55 anos apresentam um episódio persistente de dor no joelho, das quais uma de cada seis consulta o seu médico generalista por tal transtorno. Ao redor de 50% desses indivíduos têm OA de joelho demonstrada por radiologia. A utilidade das radiografias se relaciona principalmente com a exclusão de outras possibilidades diagnósticas, e não tanto com a confirmação da doença osteoartrítica. Os fatores que diferenciam a OA sintomática da doença radiográfica assintomática são quase que completamente desconhecidos.
A OA sintomática de joelho (dor na maioria dos dias e características radiográficas consistentes com OA) se apresenta em quase 12% dos sujeitos maiores de 55 anos.4

Causas

Apesar de não ser uma consequência inevitável do envelhecimento, a osteoartrite mantém uma relação estreita com a idade. Essa associação pode representar as forças acumuladas exercidas sobre a articulação, possivelmente agravadas pela deterioração da função neuromuscular, ou a senescência dos mecanismos de reparação homeostáticos. A consequência é um ônus considerável para o sistema de saúde, que aumenta conforme aumenta a quantidade de pessoas de idade avançada. Em geral, a osteoartrite é pouco frequente em pessoas de menos de 45 anos de idade. Existe uma preponderância acentuada no sexo feminino para graus radiográficos graves de osteoartrite e sintomas. A osteoartrite de quadril é pouco frequente em pessoas de raça negra ou amarela, em comparação com a branca, e a osteoartrite poliarticular da mão é rara na raça negra africana e em malaios. Em relação aos fatores de risco individuais, podem ser classificados em duas categorias: os fatores generalizados como a obesidade, os fatores genéticos e o sexo feminino, e os fatores localizados que ocasionam carga mecânica anormal em locais específicos, como a meniscectomia, a instabilidade e a displasia. Um defeito hereditário no colágeno tipo II foi descrito em uma afecção familiar rara de osteoartrite poliarticular de início prematuro, mas a genética da osteoartrite comum é desconhecida.3,4

Tabela 1. Fatores de risco relacionados com a osteoartrite
Idade Sobrepeso e obesidade
Sexo feminino Displasia femoral distal
Uso de anti-inflamatórios não esteróides Necrose femoral medial
Traumatismo prévio Artrite séptica não gonocócica
Densidade óssea e estado hormonal Consumo de complementos alimentares
Genética Fatores mecânicos
Esportes Ocupação

Sintomas4

A dor na osteoartrite é profunda, piora depois do exercício, depois de se suportar peso ou ao se iniciarem atividades após períodos de inatividade; aumenta durante o clima úmido ou chuvoso e é aliviada com o descanso. Com o tempo, ocorre inclusive em repouso.
Além de indagar a respeito dos fatores de risco relacionados, a entrevista deve abordar as características da dor. Na OA, a dor é descrita como exacerbada com a atividade e aliviada com o repouso. A OA mais avançada pode ocasionar dor durante o descanso e à noite, com perda de sono, que exacerba ainda mais a dor. Os sintomas cardeais que sugerem o diagnóstico de OA incluem:4

  • Dor, descrita em geral como mecânica ou relacionada com a atividade, pode ocorrer em repouso na doença avançada; com frequência é profunda, surda e difusa; é comum que tenha início insidioso.
  • Função reduzida.
  • Rigidez, de curta duração, denominada "congelamento", ou seja, rigidez momentânea depois de inatividade.
  • Articulação instável, que cede ou sofre torções.
  • Também pode haver diminuição do movimento, deformidade, inchaço, crepitação e idade avançada (a OA é incomum antes dos 40 anos de idade) em ausência de características sistêmicas, como febre.
  • Dor que persiste depois de estresse psicológico relacionado com a dor.

Diagnóstico

Não há um único teste para diagnosticar a osteoartrite de joelho. A maioria dos médicos utiliza uma combinação de métodos para fazer o diagnóstico, como histórico clínico, exame físico, raio-x e ressonância magnética.

Na prática clínica, o diagnóstico da OA deve ser feito com base na história clínica e no exame físico, enquanto o papel da radiografia é confirmar a suspeita clínica e descartar outras alterações

Referências

  1. Felson DT, et al. Osteoarthritis: new insights. Part 1: the disease and its risk factors. Ann Intern Med. 2000;133(8):635-46.
  2. Chan KW, et al. Co-morbidities of patients with knee osteoarthritis. Hong Kong Med J. 2009;15(3):168-72.
  3. Jones A, et al. ABC of rheumatology. Osteoarthritis. BMJ. 1995;310(6977):457-60.
  4. Hunter DJ, McDougall JJ, Keefe FJ. The symptoms of OA and the genesis of pain. Rheum Dis Clin North Am. 2008;34(3):623-43.